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Será que deveríamos ter sonhado mais? Gritado para o real como: eu vivo aqui e estou cheio de vida! Não, isso em nada mudaria a nossa trajetória! O nosso destino já estava traçado desde o dia em que Você nos criou, ao nos criarmos, Você já podia presumir, que a nossa criação fora o Seu único erro. Diante do fato consumado, Você se afastou de nós, como se a nossa doença pudesse Lhe contaminar. E como se vê, o contaminou!
Nas nossas noites nós sempre nos apegávamos ao seu desprezo e era muito difícil conter as lágrimas. Nós sempre vivíamos na apreensão pelas Suas palavras duras e cruéis as quais nos poderiam transformar em condenados para sempre. Toda a angustia pelas quais eu teria ainda de passar e toda a vergonha que me restava sempre me sobrecarregavam o espírito a ponto de chorar condoído de mim mesmo.
Lá embaixo,o vento frio levanta suavemente a superfície das águas do rio. Morro de sede e tudo estão contaminados pela morte! A atmosfera está impregnada pelo terror!
Os derradeiros raios de luzes começam a desaparecer para dar a cor avermelhada da tarde e com eles eu sinto a presença das imagens dos anjos dos sonhos, menos tristes do que essa terrível realidade.
A terra vai escurecer e Deus vai dormir também.
As armas dos religiosos tinham chegado ao apogeu, enquanto a ira celeste se mantinha satisfeita. As terras do mundo eram como a um altar, onde as chamas das cidades incendiadas pelas bombas, serviam-se de pira sagrada para consumir aos milhares, as vítimas humanas. Só o silêncio e o desalento reinavam por todas as partes e em tudo que se via era pela ultima vez. Antes, uma nuvem de tiros choveu de todas a partes sobre os renegados da criação. As montanhas rolavam de cima para baixo e com elas os guerreiros da fé era triturados, cujo sangue se espalhavam aos gritos de raiva e de desesperanças.
Nazareno, mostraste-nos a salvação, se seguíssemos mas, foi com um aceno Seu que Seus filhos se destruíram. Tenho grave suspeita Sua, pois ao se tornar nosso irmão de fé, protegeste a quem o levou a cruz, nos ensinado o caminho do inferno. Nosso sangue não redime o pecado de Vosso Pai.
Quinto dia
Em se ver tudo acabado, passo a me lembrar de como tudo aqui se apegava a Você, meu criador! A nossa idéia de salvação começava a fazer sentido, a tal ponto, que todos eram conduzidos ao desespero , ao medo , a injustiça e a confusão sobre a morte. Todos tentavam se salvar, buscando apoio nos seres humano intitulados como profeta e que se diziam os mensageiros de Vossas palavras: a verdade está conosco! Somos os eleitos! Junte-se a nós!
A aceitação era muito simples; primeiro as pessoas chegavam absolutamente em desespero e depois se tornavam submissos. Os escolhidos eram sempre os que tinham perdido as esperanças. A terra em pouco tempo se tornou em um celeiro dos iluminados, onde o medo espalhado por eles estava por todas as partes. Todos viviam com se fossem envolvidos por uma nevoa escura que se erguia dos pântanos, uns eram cegos no Evangelho e outros tementes ao Alcorão.
O medo se tornou em doença e o desespero em praga ainda maior.
O fim das Suas coisas temporais, obcecava os habitantes do Seu planeta. A esperança humana passou a se basear , simplesmente na Sua misericórdia Divina , sem nunca levar em conta, a maneira inteiramente diferente para a qual o mundo Você deixava caminhar: sem gloria e sem majestade.
O egoísmo na luta pela sobrevivência trouxe as devastações das florestas e impermeabilizou os quatro cantos da Sua adorada terra, deixando-a sem vida e sem esperanças. Por todos os lugares desse pequeno mundo, as catástrofes e os acidentes naturais foram inevitáveis. A fome, a sede e as doenças varreram boa parte da humanidade e, a desesperança entrou no coração do homem e o terror lhe quebrou toda a nobreza. Peregrinos sem lar e sem família seguiam por lugares inóspitos, vales profundos, aonde a vida se seguia insuportável, cujas únicas esperanças, baseavam-se na Cruz arrancada das catedrais destruídas ou nos escritos que restara das paredes das Mesquitas.
Por todos os lados em que fora passado o alfanje da conquista, tornaram-se ruínas e servidão. O espírito da liberdade ora se chocava contra o domínio do califa do Alcorão, ora se chocava contra a opressão Cristã.
Muitos adormeciam para sempre na solidão de seus próprios sonhos e outros saudavam o amanhecer, por mais um dia de esperança, para vingarem os seus . Essas barbáries, dizimavam os homens em Seu nome .
Eu vi a Sua criação ser destruída pouco a pouco e a se massacrarem uns aos outros.
Os Seus animais domésticos e selvagens,dotados de Suas poucas semelhanças, por sua vezes se juntavam em harmonia para devorar os restos mortais deixados pelos Seus parentes mais inteligentes.
Os rio que Você fez para dar vida a mais vidas iam se tingindo de sangue e de corpos apodrecidos. A peste se instalou por todos os cantos como câncer e, as suas maiores vítimas foram as Suas crianças, as quais Você não havia dado a chance de sonharem com um mundo melhor para os descendentes.
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Writer Profile
Tony Pent
Escritor e jornalista
Livros
O diario de um terrorista, a visão de um terrorista, diante do conflito arabes e judeus
Estigma da loucura,
De volta para o inferno
Marysia e Henryk - saga polonesa
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