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As ultimas cartas de um morador da terra Printable Version PRINTABLE VERSION
by Tony Pent, Brazil Jun 17, 2009
  Short Stories

  

O espetáculo é apavorante e me trazem, talvez, as minhas ultimas lágrimas aos olhos.
Sinto que agora chegou a minha agonia final.
É pavoroso ver o mundo de tantos sonhos, transformado em sepulcros de seus habitantes.
O oceano está mudo, coisa que em nem um só dia, por vários milhões de anos, ele deixou de gritar se agarrando aos rochedos dos continentes.
Mais uma vez eu sinto medo! Tudo se transformou em cadáveres, imóveis e mudos e eu me encontros, novamente a sós com a solidão.
Que Deus é esse que me mantêm vivo, somente pelo bel prazer de me fazer testemunhar todos os pecados dos homens.
Estou como que aturdido – vejo e sinto sombras negras e não dou conta de ter a consciência de mim mesmo - Estou como se levantasse os pés do chão, livre e flutuando, paralisado sobre uma loucura total. Tudo que me rodeia parece brincar com meu espírito e a me fazer interrogar: se Deus está muito longe de mim? Muito eu creio! Como o homem é capaz de sentir na felicidade a presença de Deus, no entanto, eu nada sinto. Apenas O presumo no meu desejo e na minha imaginação e nunca na força que vem do meu sentimento. Sinto como se tocasse novamente os pés em um mundo maravilhoso, onde não se consegue imaginar a suas cores vivas, ou o percorrê-lo no desejo de se fazer valer a força do pensamento. Quem viveu nesse mundo, sentiu ter a existência tranqüila , mas o seu inconsciente, sempre o levou para as vidas atormentadas, criadas pela indiferença de Quem nos criou.


Não sei porque esta sorte da existência tranqüila atormentou tanto os homens , a ponto de levá-los a se angustiar da vida, em lugar de saborear a sua infinita doçura. Será que temiam a sua existência por não se acharem dignos dela, ou por que não se consideravam merecedores da felicidade divina? Vinte séculos já se passaram desde a vinda do Messias e, creio eu, vários povos O escutaram, se bem que os mais humildes. Tudo que foi dito pelo Vosso Filho se espalhou por essa terra em que me encontro só, castigado e desolado.
Esse nosso pequeno mundo foi cercado pela Sua liberdade vigiada. Os que se amavam e seguiam restituindo, a generosidade, a paz e conheciam as palavras de Seu filho, muitas vezes se entregavam como mártires nas mãos dos algozes, para morrer na esperança de uma existência, a que os céus nos foram prometidos.
Diante da solidão em que os céus nos colocaram, o mundo se voltou às costas para a cruz dAquele que espalhava o amor, o afeto e a generosidade, vindo a se entregar às coisas fúteis e ao egoísmo.
O Seu abandono fez-nos criar uma geração de amedrontados, agarrando-se as crenças e ao medo. Hipócritas usaram o Seu nome e criaram seitas milionárias, roubando-nos a moral e grandeza de tudo que vinha de Você .
Outrora, a voz que clamava no deserto era o alento dos oprimidos e dos inocentes e com ela o mundo buscava a sabedoria que por certo vinha de Você .Mas, nos dias que precederam a esses , no entanto, a Sua espada da morte brilhou nos quatro cantos da terra.
Os donos do mundo esqueceram-se de seus pais e de seus filhos e na embriagues do egoísmo, romperam-se com o amor e com a virtude e, Você nada fez para que nos terminássemos assim...
O meretrício se instalou no templo do Vosso filho e encheram de abominação e sangue as toalhas que cobriam os Vossos altares. Bombas atômicas foram testadas a todo tempo nas profundezas da terra e tudo para mostrar aos seus próprios criadores, o poder de que dispunha a humanidade. Humanidade esta, que sentia a todo instante, o poder soldar a cadeia da vida aos doentios interesses.
Mas, quanta dor refletiu a loucura na alma dos homens, dando-lhes a febre que lhes queimaram as lágrimas, não os deixando lembrarem-se de si mesmos!
No lugar do amor e da igualdade, assentou-se o terror dos poderosos e foram criados em Seu nome milhares de Babilônias, onde todos se vendiam ao desejo e ao escárnio.
E agora, ao ver Seu mundo destruído da forma que foi, só se podia esperar que Você já tivesse conhecimento, de que os nossos dias estavam contados.
Eternidade, eternidade! Que pensamento mentiroso! Tudo perece, porque a eternidade é a alma e nela existe o Seu mais frágil império.
Tento fechar os olhos para fugir desse mundo de realidade, mas os olhos do meu espírito se voltam para as existências transitórias e eu sou compensado pelas visões consoladoras.
Diz-me voz da minha loucura; esse doloroso espetáculo que assiste a minha alma, é o fim do mundo, ou o começo para Aquele que não soube nos criar?





Quarto dia


O sol que agora brilha em meu rosto desfigurado, faz-me compreender: que eles só mantém a sua luz, para iluminar as coisas mortas deste planeta condenado e, com isso, Você enxergar toda a grandeza que a Sua imagem e semelhança não deixou que as existissem.
Eu deveria odiar esse sol que me queima a pele e que Você só o criou para ser o inimigo dos homens, em lhes mostrar a realidade, invés dos sonhos. Mas, eu não o odeio como Você nos odiou. Será que toda essa culpa vem de nós mesmos?







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Writer Profile
Tony Pent


Escritor e jornalista
Livros
O diario de um terrorista, a visão de um terrorista, diante do conflito arabes e judeus
Estigma da loucura,
De volta para o inferno
Marysia e Henryk - saga polonesa
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