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Lembra-se que foi Você quem criou todo esse espetáculo para o Seu prazer pessoal e, se alguma coisa saiu do Seu controle, nós, sinceramente não tivemos culpa alguma no Seu fracasso. Nós só fazíamos parte do Seu espetáculo e acredito ser eu o Seu palhaço mor, por me encontrar ainda na Sua diversão, mantendo-me vivo , na mesma angustia a que ela lhe proporciona o fracasso. Diante de tudo isso eu não consigo entender: porque o Dono de todo esse circo , abaixou as cortinas sem nos dar a chance de representar o ato final.
- Onde está a Sua misericórdia?
- Seria Você um louco, um vilão vingativo? Não... eu não creio! Ninguém que consegue criar uma flor, pode ser ao mesmo tempo uma pessoa má. Portanto, Você me deve muitas explicações.
Segundo dia
Hoje o calor se tornou mais intenso. Minha respiração se tornou ofegante e descompassada. Tem momentos que ainda sinto o ar entrar em meus pulmões, em outros tenho a sensação de morrer afogado em plena superfície.
Não consigo dormir. Assento-me à sombra de uma rocha e lanço os meus olhos em volta até encontrar o horizonte. Toda a atmosfera esta impregnada de um cheiro de nada. Nem mesmo os vermes sobreviveram para me trazer o odor da morte. A melancolia suave se assenta lentamente em meu coração. Olho saudoso para tudo que me atirava na felicidade, e as lagrimas rebentam-me involuntariamente dos olhos.
Repousa em mim, agora, somente a amargura. Felizes fomos nós, que no afago de uma tarde, adormecíamos em meio ao ruído da vida.
No instante em que ainda vivo, o clarão do sol avermelhado vai sendo vencido pelo negro da escuridão. A terra vai seguindo o seu compasso tenebroso e enche-me de treva , escondendo-se de mim, as minhas formas, até então divinas.
É assim que vejo os meus dias de saudades, onde tudo é uma lembrança indecifrável. Não sei se ao sobreviver a todos, dá-me o consolo ou me leva ao martírio . Gostaria de volver os meus olhos para esse fundo do abismo em que me encontro, e buscar uma só resposta para assim compreender: por que o eterno perece.
Lembro-me que todo mundo tinha os joelhos para dobrar e elevar a sua fé até ao senhor, mas Ele, covardemente recolheu os seus e nós inocentemente nos colocamos em pé.
E o quê deveria ser feito, se entre nós estava a cruz ensangüentada do Filho Dele ? Será que Ele desconheceu, no entanto, que tudo que deixou para nós pobres mortais foi Seu ato inexorável, em deixar que as nossas vidas caminhassem para perdição eterna .
Se os meus pensamentos são repugnantes ao Vosso ouvido, também os são para mim. Pois eu, ao sobreviver nesse mundo, onde todos estão mortos, chego à mesma loucura Sua em destruir Você dentro de mim.Sinto agora, como se eu fosse um lobo uivando dentro da noite, enquanto, Você, folga-se a rir de mim e de todos os Seus palhaços mortos
Sinto-me que hoje,nada posso Lhe oferecer além da compaixão e uma preposição. improvável de que Você existe e foi meu criador. O que seria por certo de Sua competência, transformar todas as nossas loucuras, em sanidades e nos dar a alegria eterna, em vez de todo esse sofrimento.
Oxalá , Você compreendesse o quão atroz fora a Sua atitude, ao livrar-se dos homens, aplicando-lhes a pena mais abominável; o desprezo...
Este sentimento foi fatal, foi semelhante a um grito de um homem ferido. Nossos olhos brilharam com o fulgor infernal. Nós não poderíamos compreender a causa de semelhante mudança por parte Sua. Você deixou que abrisse um abismo entre nós e que todos nós precipitássemos nele. Fez de sua semelhança um desgraçado! Por piedade , explica-me este horroroso mistério, que nos repele e nos liga ao nosso próprio cadáver. O senhor não sabe o que é sentir nas suas noites a esperança de chegar o amanhecer e com ele a alegria de se viver e quando os seus primeiros raios nos ferem os olhos cansados e nos deixa vê-lo por um instante e depois fecha-nos céu as profundezas do nada. O Senhor não sabe o que é caminhar pelos caminhos da vida e encontrar ao em vez do descanso a borda de um despenhadeiro,o qual nos força a cair. Esta é a historia da Sua criação, onde a iluminaste para cair no abismo, ao abandonar as nossas mãos. As lágrimas talvez possam brotar dos meus olhos por me lembrar quem eu era, mas ao condensar-se em meio a minha face, elas me queimam, como o vento que acoita os pensamento de Deus.
Afinal, tudo me é penoso e esta espera me enlouquece. De tudo, a esperança e desespero é a mais cruel mistura da espera...
Terceiro Dia
Mais um dia de treva e eu me encontro; sem saber como, no mais alto dos escombros.
Sinto o vento que agora sobra com mais velocidade e me traz um frio que gela os meus ossos e a minha sofrida alma,
Tento rompe a escuridão que ora me cegam os olhos e ora me enegrecem os pensamentos. Diante de tudo, eu ainda posso vislumbrar o mar que parou de rugir, como a um ferro incandescente ao esfriar-se de repente.
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Writer Profile
Tony Pent
Escritor e jornalista
Livros
O diario de um terrorista, a visão de um terrorista, diante do conflito arabes e judeus
Estigma da loucura,
De volta para o inferno
Marysia e Henryk - saga polonesa
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