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Carros bélicos com alto poder de fogo assombravam aos olhos dos condenados.
Tanto faziam árabes ou cristãos, todos tombavam mortalmente, estraçalhados ou varados, em nome de um Deus todo poderoso. – De onde vinha tanta fé, a que foi conferido o direito de matar em nome do Seu amor?
A lua que outrora dava esperanças aos poetas e aos apaixonados, foi-se tornando escura pelo ódio e pela fumaça que o fogo se alimentava das inocentes vegetações.
Arvores centenárias que há anos nos nutria com o puro oxigênio, tombavam junto com os homens e com os animais e se transformavam em personagens carbonizados, da mais horrenda cena de pavor.
Todas as mágoas se acumulavam a outras mais pungentes. Homens e mulheres e filhos não repartiam mais afeto, todos só queriam sair vivos da discórdia.
Agora o dia morre no horizonte. Um vento frio me enregela até os ossos e no céu aparecem as primeiras estrelas. Quantas saudades eu tenho das vidas dos que aqui viveram e em se pensar que a idéia de que existia um Criador nasceu com a própria humanidade, constituindo-se assim toda a nossa religiosidade e o nosso alicerce. Todavia, os homens passaram a buscar a educação, a formação técnica e o desenvolvimento cientifico dos quais os levaram a descrença e aos ideais revolucionários. Guerras se espalharam por todo o Seu planeta e cresceram-se assim as sociedades urbanas e as metrópoles.
O ser criado por Você sempre O adorou e O respeitou, mas as mudanças nos procedimentos e nos envolvimento deles quanto aos assuntos espirituais os tornaram autoritários e levaram a Sua humanidade ao desequilibro na forma de se viver. A sua criação passou a ser tão individualista, a ponto de pensar por si mesmo e a julgar não mais nos moldes coletivos, individualizando-se até mesmo a idéia sobre Você.
Com o passar dos tempos, a sua criação passou a ser manipulada pelas autoridades e começou a aprende que devia se submeter, respeitar e obedecer e abdicar-se da própria potencialidade em relação à razão e ao amor. A Sua criação se tornou fraca, anulada e submetida à proteção dos superiores. A felicidade dos Seus foi sacrificada em detrimento de ideais para as vidas futuras, resultando em mudanças drásticas, no jeito de se enxergar a vida, e os ideais passam a ser fins e não meios. Fins que nos levaram a manobrar os semelhantes e a considerarem a desobediência como o nosso maior pecado. A Sua criação foi levada à humilhação e como submissa esperava sempre pelo Seu perdão. Os arrependimentos que vinham pelo medo do inferno nos faziam sair da crise enfraquecidos e cheios de ódios por nós mesmos e prontos para pecarmos novamente.
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Como Você vê pelo que restou desse Seu pequeno mundo, a Sua criação não chegou a conhecer-se a si mesmo e com isso nunca alcançou a felicidade. Diante de todos esses enganos eu posso chegar terrível conclusão de que Você já havia pensado como tudo se acabaria e com seria difícil para nós, pensarmos de novo sobre nós mesmos,
Eu ainda trago comigo, mesmo sem conhecer, o aroma das violetas e a alegria de cada rosa que nascia, a saldar pela manhã, a vida de algum poeta sonhador como eu. Anos e anos esse sol que hoje me consome em vida tinha frescura de seus raios a iluminar a mocidade dos que me antecedera. A natureza criada por Você parecia que nos entoava as canções das estações e sempre nos avisávamos de que o tempo passaria e que deveríamos amá-Lo e sonhar com um bem que Você, talvez nunca tenha sonhado para nós.
Que ledo engano cometeu a Sua humanidade, em pensar que nesse mundo, nada estava escrito e que Você jamais se arrependeu em nos dar a inteligência.
A Sua generosidade nos levou ao sacrifício inconsciente, pelos quais repousam os mortos e os prantos das mães. O Seu mundo virou um trânsito de espectros, nunca de vencedores ou mártires. A nossa herança foi sempre a de se pensar, que na morte , a semente excitaria a ira das crianças que logo cresceriam para vingarem-se dos seus, pela espada e pela bomba e por essa total destruição.
- Anjos e demônios! Coorte de renegados diga-me; por que a Cruz foi novamente ludibriada? Onde estão os sacerdotes que se deliciavam com os Seus martírios?
Sexto dia
Hoje me sinto como se eu fosse um barco estraçalhado pela tempestade. Minhas memórias olham para as juventudes longínquas, como um marinheiro que olhou para o horizonte e se viu debater com o furor das ondas da realidade dolorosa. Contra os fatos grita o clarim soberano e consagra-se a morte. Os presságios nos mostravam uma dor futura de que as sombras reais nos levariam para os sepulcros. Nosso único sopro consistia de uma praia, onde os soluços de Seus escravos, o nosso Criador não os ouvia. Você sempre nos viu como um vulto a retornar da Sua ruína final. Maus séculos nos foram dado e tudo a se pagar com a vida. Premiou-nos com Seu cruel fado, a nossa atmosfera apodrecida e Seu desrespeito covarde em nos dar a Sua imagem e semelhança. Nossos jovens derrubados sobre a Sua terra indefesa inspiravam-se no que seria, por certo na Sua imagem de vingador e da Sua ira incontida. Armo-me agora de antigas memórias e de esperanças, de que um dia você nos ensinou, que a nossa alma estava desfeita e que a nossa pena seria eterna. Por que nos inseriu em Seu fado hostil e nos encheu de esperanças, e agora se senta glorioso da Sua menor reprovação? Que premio reservava para Você naquele presente, em ver no futuro que Seus filhos cresceriam e que procuraria em Você o abrigo firme da compreensão, ao em vez de ofertar as nossas cabeças a nossa própria destruição. Não acredito que esse céu possa escondê-lo e que depois de tudo consumado, as Suas mãos ainda sejam feitas para nos lançar o perdão e coroar a Sua cabeça junto à tumba a qual se transformou a Sua criação.
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Writer Profile
Tony Pent
Escritor e jornalista
Livros
O diario de um terrorista, a visão de um terrorista, diante do conflito arabes e judeus
Estigma da loucura,
De volta para o inferno
Marysia e Henryk - saga polonesa
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