TIGed

Switch headers Switch to TIGweb.org

Are you an TIG Member?
Click here to switch to TIGweb.org


Home Home Browse Resources Toolkits & Publications Sexualidade Feminina com Naturalidade - Revista TPM - "Eu uso Vibrador"
Details Toolkit/Publication:
Sexualidade Feminina com Naturalidade - Revista TPM - "Eu uso Vibrador"

DetailsDetails
Type
Declaration

Author
Nina Lemos - Revista TPM (Trip Para Mulheres)

Posted
March 13, 2008

Categories
Culture
Human Rights
Health

Tags

You must be logged in to add tags.
aboutAbout
Duas atrizes, uma roqueira e uma ex-apresentadora de programa sobre sexo assumem os próprios vibradores com orgulho. Soninha Francine admite nunca ter pegado em nas mãos e um escritora acha que eles são a prova de que a revolução ainda é possível
por Nina Lemos // fotos Ana Ottoni

Ter um vibrador é um sinal de respeito por si mesma e pelo seu prazer.” Assim, a atriz da Globo e vocalista da banda carioca Orchestra Imperial, Thalma de Freitas, 33 anos, define a sensação que teve, há quatro anos, quando entrou sozinha em uma sex shop do Rio de Janeiro e gastou 300 reais com um vibrador que vinha com três capinhas diferentes, estilo multiuso. “Sabe por que comprei? Estava cansada de dar para os caras errados”, diz. “Queria me preservar mais, mas também não estava a fim de abrir mão de sentir prazer.” Se Thalma sentiu vergonha na hora em que entrou sozinha na sex shop? Nenhuma. “Pelo amor de Deus, não é possível que as pessoas ainda tenham vergonha de uma coisa que é para elas. Vergonha, eu tenho de ter beijado alguns caras errados!” Gostou tanto do primeiro brinquedinho que eles viraram mania. Thalma tem uma pequena coleção de vibradores e gosta de chamá-la de kit do prazer.

A naturalidade em falar desse assunto e dizer, sem firulas, que vibradores fazem parte da vida será, no entanto, uma mania isolada, de determinados grupos de mulheres? Ou quase toda moça moderna necessariamente já experimentou o brinquedinho? Conversando com outras mulheres, chegamos à conclusão de que, como tudo relacionado a preferências sexuais, não há regra.

Ex-apresentadora do extinto Erótica MTV ao lado do psiquiatra pop Jairo Bouer, cuja tônica era justamente a sexualidade, a paulistana Tatiana Mancini, 32 anos, conta que tem, sim, um vibrador, mas diz que nunca se animou a usar sozinha. A graça, garante ela, é usufruir do brinquedinho com o marido. “O vibrador é um instrumento, um complemento. Ensina caminhos, propõe um ritmo. Serve mais para erotizar a história do que dar prazer. É só um acessório que acrescenta”, defende ela, dizendo ainda que vibradores não devem ser tratados como soluções para a falta de um parceiro. “Trata-se de um ato solitário, e não há quem viva sozinho.”

“Ter um vibrador é um sinal de respeito por si mesma e pelo seu prazer.” Assim, a atriz da Globo e vocalista da banda carioca Orchestra Imperial, Thalma de Freitas, 33 anos, define a sensação que teve, há quatro anos, quando entrou sozinha em uma sex shop do Rio de Janeiro e gastou 300 reais com um vibrador que vinha com três capinhas diferentes, estilo multiuso. “Sabe por que comprei? Estava cansada de dar para os caras errados”, diz. “Queria me preservar mais, mas também não estava a fim de abrir mão de sentir prazer.” Se Thalma sentiu vergonha na hora em que entrou sozinha na sex shop? Nenhuma. “Pelo amor de Deus, não é possível que as pessoas ainda tenham vergonha de uma coisa que é para elas. Vergonha, eu tenho de ter beijado alguns caras errados!” Gostou tanto do primeiro brinquedinho que eles viraram mania. Thalma tem uma pequena coleção de vibradores e gosta de chamá-la de kit do prazer.

A naturalidade em falar desse assunto e dizer, sem firulas, que vibradores fazem parte da vida será, no entanto, uma mania isolada, de determinados grupos de mulheres? Ou quase toda moça moderna necessariamente já experimentou o brinquedinho? Conversando com outras mulheres, chegamos à conclusão de que, como tudo relacionado a preferências sexuais, não há regra.

Ex-apresentadora do extinto Erótica MTV ao lado do psiquiatra pop Jairo Bouer, cuja tônica era justamente a sexualidade, a paulistana Tatiana Mancini, 32 anos, conta que tem, sim, um vibrador, mas diz que nunca se animou a usar sozinha. A graça, garante ela, é usufruir do brinquedinho com o marido. “O vibrador é um instrumento, um complemento. Ensina caminhos, propõe um ritmo. Serve mais para erotizar a história do que dar prazer. É só um acessório que acrescenta”, defende ela, dizendo ainda que vibradores não devem ser tratados como soluções para a falta de um parceiro. “Trata-se de um ato solitário, e não há quem viva sozinho.”



Você não tem?

Se você está lendo tudo isso e se sentindo um ser do outro planeta por nunca ter visto um vibrador, saiba que está longe de ser a única. A vereadora e comentarista de futebol da ESPN Soninha Francine, de 38 anos, faz parte desse time. “Nunca peguei um na mão, só conheço por foto. Não me interessa, não me dá o menor tesão”, admite. “A origem do prazer está no cérebro e, se você não tem condições mentais, não é um vibrador que vai te dar mais tesão. Agora, se hoje as mulheres admitem que gostam e buscam mais prazer, sendo capazes de ir lá e comprar um objeto pra se satisfazer, acho muito positivo.”

Independentemente de gostos, falar de vibradores deixou de ser assunto para cochichos e se tornou um papo normal. Basta lembrar que, recentemente, foi noticiado que Kate Moss, o ícone da beleza e da modernidade mundial, comprou um de ouro por 350 dólares para presentear uma amiga. Mas esse modismo, ao mesmo tempo em que se tornou menos polêmico, ainda atinge poucos. “Não é qualquer uma que tem coragem de entrar em uma sex shop e pedir um vibrador”, garante a ginecologista Sonia Rolim, professora da Escola Paulista de Medicina. “O que eu sinto é que as mulheres andam mais curiosas sobre o tema.” A médica acha que o uso de vibradores é importante para que as mulheres conheçam melhor seu próprio corpo. E também para casais que tenham intimidade e curtam, mutuamente, usá-lo durante o sexo. É assim com a atriz Thalma de Freitas, que não conhece a palavra “pudor” ao falar sobre o tema. Ela comprou seu primeiro vibrador quando estava solteira. Depois de casada, o brinquedinho virou parte da rotina do casal. “Meu marido adora que eu tenha um e gosta de me ver usar”, diz a atriz. Casada há três anos, ela está fazendo o mito de que vibrador é coisa para mulher encalhada cair por terra.

A atriz Jayne, de 34 anos, uma paulistana linda de olhos verdes, é outra que ajuda a derrubar o mito. “O vibrador é interessante por vários aspectos. Inclusive para a gente mexer com nossos arquétipos sexuais. As mulheres às vezes são um pouco menino também”, diz a moça. Um certo dia, seu pequeno vibrador, presente de uma amiga, desapareceu. Jayne desconfia de que foi roubado por uma faxineira evangélica (sim, é verdade, este não é um texto de ficção). Há alguns meses, decidiu pedir um para o namorado de presente. “Fui com ele na sex shop e comprei um ótimo.”

P, M e G. Você escolhe

Escolher um vibrador não é mais tarefa fácil, dado o excesso de opções (só nas páginas seguintes são 18 modelos). Quem quer ser realmente moderno, pode comprar um iBuzz. Trata-se de um aparelho que, conectado ao badalado iPod, vibra ao som da música que você escolher. Já existe também um que começa a funcionar por meio de toque do celular: você liga para a pessoa e aciona o seu vibrador. Mas será que isso tem alguma utilidade ou é papagaiada demais? “Acho que isso funciona mais como jogada de marketing, sexo não é uma coisa assim tão mecânica que você vai discar um número, fazer vibrar e ter prazer. Sei que isso é uma brincadeira, mas que pode vir a vulgarizar o sexo”, atenta a médica Sonia Rolim.

O sonho de consumo de mulheres conectadas (literalmente) a vibradores, são os de controle remoto, que vibram em várias intensidades (para os lados e para a frente). Thalma se encantou por um que viu na sex shop onde foi fotografar para esta reportagem, mas desistiu de comprar por causa do preço. “Era quase 900 reais. Mas comentei com meu marido e ele disse que podemos comprar mais barato na Europa.” Sim, vibrador virou peça que você encomenda da “gringa”, como qualquer eletrônico. Nesse vaivém internacional, a vocalista da banda Biônica, Joana Ceccato, de 35 anos, deu sorte. “Uma amiga minha que estava morando nos Estados Unidos comprou um, achou que era muito grande para ela e mandou pra mim de presente, por Sedex.” O vibrador de Joana tem como tema “a princesa e o castor”. “Ele vibra no clitóris e tem outra parte que penetra”, explica. A primeira coisa que Joana fez quando ganhou o presente foi usar, claro. “Adorei, fiquei impressionada. Mas com o tempo cansei. É realmente muito grande, você precisa estar muito no clima.” Hoje, o vibrador está no armário. “Serve pra mostrar se o namorado quiser tirar uma onda. É um bom brinquedo, mas pra mim enjoou.” O vibrador de Joana virou muso. Em uma das músicas de sua banda, ela escreveu: “te deixo o meu vibrador que está guardado no armário, uma foto pelada do meu namorado. E um forninho que nunca foi usado”. O forninho nunca foi usado, reparem. Já o vibrador...

A “revolução dos vibradores” empolga a escritora Ivana Arruda Leite, de 55 anos. “Acho que depois da queima dos sutiãs temos este momento maravilhoso que é a liberação da masturbação feminina. Isso é uma revolução”, comemora. A alegria de Ivana tem razão de ser. “Quando eu tinha 30 e poucos anos nenhuma amiga minha tinha vibrador, muito menos eu. Falar em masturbação era praticamente proibido. Se as moças de hoje dizem que compram vibrador, estão assumindo publicamente que se masturbam, o que é maravilhoso.”

Para entrar na vibe

Os vibradores têm os mais diferentes formatos, tamanhos, materiais e até funções

Se você nunca viu vibrador antes, mas está decidida a investir em um, é bom saber que o brinquedinho pode ser movido a pilha, bateria (menor intensidade) ou eletricidade (maior intensidade). Os modelos variam basicamente entre os cilíndricos (para penetração) e os clitorianos. Os cilíndricos costumam ter entre oito e 30 centímetros e formatos como pênis, língua, legumes. Tem o curvo, para atingir o ponto G. Além de vibrar e pulsar, alguns fazem movimentos rotatórios. Os clitorianos geralmente têm entre oito e dez centímetros e formatos como o de borboleta, coelho, tartaruga, cápsula e foguete. Alguns são fixados no quadril por uma cinta, outros usados nos dedos da mão. O material de revestimento também varia entre plástico rígido, silicone, jelly, glitter, marfim, metal e cybersklin (imitação da textura da pele). Prefira sempre os que são à prova d'água para garantir a limpeza. Os que não são podem ter contato com óleos e cremes relaxantes, mas nunca com a pele molhada. Ao fim do uso, lave o brinquedinho com água e detergente e seque-o bem para evitar DSTs. Também é fundamental cobri-lo com preservativos, trocados a cada penetração. Na hora de comprar, cheque se a velocidade da vibração é adequada, se o barulho é tolerável, se é fácil de limpar e se a superfície não machuca a pele.

Fonte: Museu do Sexo (www.museudosexo.com.br), coordenadopela psiquiatra Carmita Abdo, professora da Faculdade de Medicina da USP. (Ariane Abdallah)

Reportagem Revista TPM (Trip Para Mulheres)


View toolkit