by Efraim Batista de Souza Neto
Published on: Mar 1, 2008
Topic:
Type: Opinions

Meio ambiente é o tema da moda, do momento. Quem não ouve falar em meio ambiente hoje? O que parece ser um tema tão novo assim não é tão novo quanto parece. Discutido antes mesmo de nascermos, a relação homem e meio ambiente ganha cada vez mais força na mídia e na sociedade em que vivemos. Entretanto, todas as movimentações discursivas acerca do tema não recebem o enfoque correto, e muitas vezes passam a ser utilizados como merchandising de uma sociedade voltada para o consumo insustentável dos recursos naturais.

Estamos vivenciando uma profunda crise de valores, uma verdadeira crise civilizatória. A partir do boom populacional da Terra, estudiosos de diversos países constataram que o planeta está com déficit de qualidade ambiental e desenvolvimento sustentável. Tal consciência por si só já justifica um projeto pedagógico de educação ambiental e de discussões que demonstre a relevância que os recursos naturais, em especial os recursos hídricos, possuem para a manutenção da vida na Terra. Segundo o filosofo francês, Félix Guattari, a nossa atual situação pode ser entendida como a crise das três ecologias: a social; a ambiental e a tecnológica.

Concluir que este modelo de sociedade, alicerçado há anos na exploração de seres humanos por outros seres humanos, além da intensa exploração da natureza, em especial dos recursos hídricos, por uma restrita elite mundial, não nos serve mais é o ponto de partida de toda a nossa discussão. Estender esse modelo de produção e consumo a todos os seres humanos é impossível, na verdade inviável, devido aos limites dos bens naturais em nosso planeta. Para sustentar este modelo existente e incorreto, é necessário restringir o acesso a todas às outras pessoas. A extensão do consumo desenfreado por uns é um dos principais pontos de fomentação de conflitos pela água; enquanto uns usam e abusam do bem, outros não têm como suprir às necessidades básicas estipuladas pela Organização das Nações Unidas (ONU), que fica em torno de 20 litros de água por habitante dia.

A construção discursiva acerca dos problemas ambientais muitas vezes está apenas focada nas pontuações referentes às questões sócio-econômicas, perpassando raras às vezes pela real situação de nossa população, a qual passa fome e sede, sentindo-se realmente presa a “liberdade” de nosso neoliberalismo. A única solução para estes problemas é a educação, a mudanças de comportamento será a base de toda a nossa mudança de pensamento.

A mudança de consciência, pessoal e coletiva, é um importante pré-requisito para a transformação das atitudes perante os usos da água e dos recursos naturais. Desenvolver uma cultura de preservação e de consumo sustentável é necessário para lidarmos de forma não violenta com os possíveis conflitos pelo acesso à água, energia e alimentos.

É este reconhecimento que toda a sociedade necessita compreender. Somente assim colocaremos em prática a nova cultura ecológica, fomentada em ações que supram as necessidades físicas e agrícolas de cada região. A água e os recursos naturais são bens singulares e insubstituíveis, tão necessários à manutenção da vida, quanto do ar que respiramos.

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