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                    <title>TIGblogs - Julia Nader Dietrich's TIGBlog</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/</link> 
                    <description>What's on the minds of young leaders from around the globe?</description> 
                    <language>en-us</language> 
             
                <item> 
                    <title>Vícios?</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/3346241</link> 
                    <description><![CDATA[Há tempos que não venho - este estava na gaveta e teve vontade de sair.<br /><br /><a href="http://3.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/TObS8djtbaI/AAAAAAAAFKs/BZl4etuE5aU/s1600/cinzeiro.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/TObS8djtbaI/AAAAAAAAFKs/BZl4etuE5aU/s200/cinzeiro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541348327694364066" /></a><br /><br /><br />No intervalo dos cigarros<br /><br />Um, dois, vinte.<br />tragada leve.<br />Um, dois, vinte e três.<br />Tragada em curso.<br />Um, dois, vinte e cinco.<br />A tevê entretê.<br />Um, dois, quinze.<br />Notícia ruim, o João cadê?<br />um, dois, seis.<br />Acabou o leite, o pão. - Vai você.<br />Um, dois, dois.<br />Não quero mais, não sei dizer.<br />Um, dois, um.<br />Cheiro novo. Batom. (ironia) É seu?<br />Um, dois, um.<br />Dor no peito. - Alô, Doutor. Tem hora?<br />um, meio, um, um, um.<br />É, querida. Percebemos tarde demais.<div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-3262802596560006122?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 02:11:00 -0500</pubDate> 
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                    <title>Novidades</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2966335</link> 
                    <description><![CDATA[Olá!<br />
Sei que já estou bastante desaparecida e, hoje, a postagem será bem breve. Estou muito contente e precisava compartilhar o motivo da minha felicidade: meu projeto de mestrado foi bem avaliado pela orientadora! Agora começa o trabalho de verdade - todo o trâmite de inscrição, envio do projeto e claro, o início das aulas e atividades no ano que vem. Mal posso esperar!<br />
A investigação será sobre a educomunicação em projetos de saúde reprodutiva - o projeto é enorme e eu vou precisar de muita "força na peruca" para dar conta. <br />
No mais, estou super atolada escrevendo o material didático para o encontro do Jovem de Futuro, que acontecerá agora, dia 23. Vou usar materiais e dicas aqui do TIG! Há muito para aproveitar!<br />
Abraços e até breve.]]></description> 
					<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 19:13:00 -0400</pubDate> 
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                    <title>A ação do Repórter Aprendiz</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2810127</link> 
                    <description><![CDATA[<object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XDy5Uapky7Y?fs=1amp;hl=pt_BRamp;color1=0x5d1719amp;color2=0xcd311b"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/XDy5Uapky7Y?fs=1amp;hl=pt_BRamp;color1=0x5d1719amp;color2=0xcd311b" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object>]]></description> 
					<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 21:18:00 -0400</pubDate> 
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                <item> 
                    <title>Primeira tradução e grande ação no Repórter Aprendiz</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2804797</link> 
                    <description><![CDATA[Olá pessoal,<br />
acabei de fazer duas pequenas traduções para a plataforma TIG. Traduzi duas pequenas histórias de membros. Super divertido, mas estranhíssimo esse lance de escrever em primeira pessoa quando não sou eu quem escreveu...<br />
Lembrei das minhas aulas de tradução do Nancy e o quanto achava terrível traduzir textos narrativos. A impessoalidade do texto jornalístico diminuia minhas neuras.<br />
Tenho também novidades! A minha turminha do Repórter Aprendiz realizou hoje ação pelo 350.org. Foi o plantio de árvores de fita crepe. A ação foi sensacional e todos os jovens participaram com muita vontade da proposta, além de claro se animarem com as risadas,o bom-humor dos passantes de Pinheiros e um certo medo da chuva que se aproximava. <br />
Para quem tiver interesse, editamos rapidamente um vídeo com imagens da ação. A turma gravou e eu corri com a edição *bem simplificada* para divulgar a ação do próximo domingo, dia 10/10. <br />
Amanhã conduzirei encontro em uma das escolas do Jovem de Futuro com outras quatro escolas. Será, como sempre acontece, uma experiência memorável. Ver de perto os preparativos, o cuidado e a cautela com que as escolas se preparam para receber as outras é sempre sensacional. Amanhã iremos discutir as instâncias governamentais que lidam com a educação. O dia promete!<br />
Vou dormir feliz e orgulhosa da minha turminha. Quero ir embora logo daqui do Aprendiz (são 21h24) pois já não consigo nem pensar :/ Mereço o famoso sono dos justos e ... um bom prato de comida, já que ainda não jantei. <br />
Inté e até breve!<br />
<br />
Ah! O link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=XDy5Uapky7Y ]]></description> 
					<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 20:27:00 -0400</pubDate> 
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                    <title>Festival do Meio foi sensacional</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2062005</link> 
                    <description><![CDATA[É isso aí, colaboradores do projeto! O Arraiá do meio foi muito especial! Inteiramente organizado pelos jovens que participam de projetos da Associação Cidade Escola Aprendiz, o festival reuniu diferentes pessoas da comunidade, pais, e claro, os educadores e colaboradores da organização.<br />
Em breve, o grupo do Repórter Aprendiz responsável pelo registro da festa apresentará vídeo sobre o evento.<br />
 ]]></description> 
					<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 08:46:00 -0400</pubDate> 
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                    <title>De volta</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031135</link> 
                    <description><![CDATA[<span>Uma brincadeira; verso ainda em trabalho. Me atrapalhei muito com o ritmo, mas, por enquanto, é o que é.</span>  <div><a href="http://4.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/ShynrKHFCvI/AAAAAAAADrA/QbspSnyoxnA/s1600-h/86361720.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/ShynrKHFCvI/AAAAAAAADrA/QbspSnyoxnA/s200/86361720.jpg" alt="" border="0" /></a></div><span>Hora das meninas</span>  <span><br /><br />Calma, pedia Alice</span> <span><br />Ana nada respeitava:</span> <span><br />- cabe aos deuses a resposta?</span> <span><br />na verdade, hora morta,</span> <span><br />respondia Alice em prosa</span> <span><br />Um dois três</span> <span><br />o relógio anunciou</span> <span><br />a paródia terminou:</span> <span><br />Alice matou Ana</span> <span><br />e aos céus não mais voltou</span><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-2081219519912315469?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Tue, 26 May 2009 10:05:00 -0400</pubDate> 
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                    <title>Hora de mudança</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031137</link> 
                    <description><![CDATA[<span ><span ><span>Sei que a mudança do chamado "layout" não foi grande, mas foi uma tentativa. Um esboço da minha reformulação, produto das minhas idas e vindas por outras culturas, novo emprego, novo coração, novos sonhos. Saiu Drummond, entrou Saleh. A crítica a dita adormecida deixou de ser velada - é explícita. Produto de crescimento? Talvez. Fica, porém a vontade-alma da infância recém abandonada. A saudades, eterna saudades de um passado de menina. </span></span></span><div><span ><span ><span> </span></span></span></div><div><span ><span ><span>No mais, deixo uma nova tentativa, a ser, como sempre, posteriormente (ela também) reformulada. </span></span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span  > </span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>****</span></span></span></div><img src="http://3.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/SeUr3rBZWhI/AAAAAAAADqQ/3eHX7ZedpO4/s200/85186569.jpg" border="0" alt="" /><div><span ><span > </span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>A prosa da menina</span></span></span></div><div><span ><span ><span> </span></span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>Certo dia, ouvi uma menina a dizer </span></span></span></div><div><span ><span ><span>que queria os sonhos dos tolos</span></span></span></div><div><span ><span ><span>dos moços, dos travessos e daqueles a viver </span></span></span></div><div><span ><span ><span> </span></span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>Que queria ouvir as trepadeiras </span></span></span></div><div><span ><span ><span>e sentar no balanço de vigas expostas</span></span></span></div><div><span ><span ><span>Que queria brincar de esconder<br /></span></span></span></div><div><span ><span ><span>e fugir dos padres e hóstias </span></span></span></div><div><span ><span ><span> </span></span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>Que queria ser arredia,</span></span></span></div><div><span>viúva, mulher e bacante</span><br /></div><div><span ><span ><span>Não em ordem, repetia<br /></span></span></span></div><div><span ><span ><span> </span></span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>Que queria viver de rosas</span></span></span></div><div><span ><span ><span>e não mais desejar um jardim</span></span></span></div><div><span ><span ><span>Que queria se banhar em ouro</span></span></span></div><div><span ><span ><span>e escrever em si mesma de nanquim</span></span></span></div><div><span ><span ><span> </span></span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>Ah. como queria, ela dizia</span></span></span></div><div><span ><span ><span> </span></span></span></div><div><span><br /></span></div><div><span ><span ><span>E, ao passo do discurso, sem perder de vista o fim</span></span></span></div><div><span ><span ><span>ela insistia em seu querer</span></span></span></div><div><span ><span ><span>Que queria ser querida</span></span></span></div><div><span ><span ><span>sem querer nem mesmo a mim</span></span></span></div><div> </div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-6881078263385124372?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 08:04:00 -0400</pubDate> 
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                <item> 
                    <title>"Recém-recente"</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031139</link> 
                    <description><![CDATA[<a href="http://2.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/SdlhKtcIUuI/AAAAAAAADoc/3C65q-5aKjo/s1600-h/83971742.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/SdlhKtcIUuI/AAAAAAAADoc/3C65q-5aKjo/s200/83971742.jpg" border="0" alt="" /></a><br />No jardim<div><br /></div><div>Rosa louca</div><div>beija a boca</div><div>da margarida</div><div>esta espirra: "ferrou"</div><div>o pólen da violeta secou</div><div>acabaram os frutos, ela suspira</div><div>"rosa ama margarida"</div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-4040110026635216404?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Sun, 05 Apr 2009 09:04:00 -0400</pubDate> 
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                    <title>investigando uma nova poética</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031141</link> 
                    <description><![CDATA[<span>Faz tempo que não escrevo algo produtivo, mas fica aí uma tentativa de brincar com imagens. O ritmo necessita ser ajustado... tarefa para a próxima encarnação! A preguiça anda forte. Alguém se habilita?<br /><br />****</span><br /><br /><span>No passado<br /><br />Aqui já coube<br />a louça quebrada,<br />a boneca de pano,<br />o disco riscado e seu CD do Jobim.<br /><br />Aqui já esteve<br />a boneca de louça,<br />a cristaleira<br />os pinduricalhos<br />e o anão de jardim.<br /><br />Aqui já viveu<br />a menina-boneca<br />os pratos de casa<br />sua música<br />e sim, um pedaço de mim.</span><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-6728990379105546584?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 10:03:00 -0400</pubDate> 
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                    <title>Saravá - novos estilos, 2009 chegou. Depressão e futuro adeus.</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031143</link> 
                    <description><![CDATA[<a href="http://1.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/Sag10AQGwKI/AAAAAAAADnM/6KJoe5wlCXY/s1600-h/200117223-001.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/Sag10AQGwKI/AAAAAAAADnM/6KJoe5wlCXY/s200/200117223-001.jpg" border="0" alt="" /></a><br /><div>Voodoo</div><div><br /></div><div><br /></div><div> </div>Tem um encosto<div>o estofado-tá puído</div><div>e ela, </div><div>perdeu. Consolo?</div><div>Disque-macumba,</div><div>aparece Exú, </div><div>falta Oxalá. </div><div>Tem vermelho,</div><div>falta azul. </div><div>As almofadas, agora todas duras</div><div>e surradas</div><div>Vida sôfrega,</div><div>menina dança,</div><div>dançou na vida.</div><div>Pegou o telefone,</div><div>ligou.</div><div>Atendeu a mãe</div><div>que não é de sangue</div><div>é de santo</div><div>Boa sorte</div><div>Firmou. </div><div>Pôs os pés no sofá</div><div>e se acalentou.</div><div><br /></div><div><br /></div><div><br /></div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-4888046458350333569?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Fri, 27 Feb 2009 01:02:00 -0500</pubDate> 
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                    <title>para perto</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031145</link> 
                    <description><![CDATA[<a href="http://4.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/SZJLj6p4ThI/AAAAAAAADms/7UuV5SeT12M/s1600-h/DSC_1461.JPG"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/SZJLj6p4ThI/AAAAAAAADms/7UuV5SeT12M/s200/DSC_1461.JPG" border="0" alt="" /></a><br /><span><span><span>E no meio do rio, fez-se um peixe. E no meio do peixe, surgiu um homem. Não era boto, nem manati. Mas, trazia consigo todas as lendas do mundo. Lendas que encantaram a menina loura e a levaram novamente ao encanto do sonho. </span></span></span><div><span><span><span><br /></span></span></span></div><div><span><span><span>obrigada. </span></span></span></div><div><span><span><span><br /></span></span></span></div><div><span><span><span><br /></span></span></span></div><div><br /></div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-5166602208017041368?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 10:02:00 -0500</pubDate> 
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                    <title>olha o começo</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031147</link> 
                    <description><![CDATA[caiu da ponte meu tamanco. Não jogou a bicicleta pelos rios. Deixou somente um vazio.<div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-1057836120625038821?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 10:12:00 -0500</pubDate> 
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                </item> 
                <item> 
                    <title>aos tamancos - parte 2</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031149</link> 
                    <description><![CDATA[<div><span><span><span>Volto ao momento adolescente. </span></span></span></div><div><span><span><span>Para os tamancos.</span></span></span></div><div><span><span><span>O mesmo enredo de sempre, o mesmo personagem. O livre arbítrio e você, esquecendo sempre do elemento destino.</span></span></span></div><div><span><span><span><br /></span></span></span></div><div><span><span><span>**** </span></span></span></div><div><span><span><span><br /></span></span></span></div><span><span><span>Queria ser teu corpo</span></span></span><div><span><span><span>saber sempre tua temperatura</span></span></span></div><div><span><span><span>sorver a chuva que te molha</span></span></span></div><div><span><span><span>e acordar na tua boca</span></span></span></div><div><span><span><span>como saliva ácida</span></span></span></div><div><span><span><span>queimando tuas dores</span></span></span></div><div><span><span><span>ardendo em tua febre</span></span></span></div><div><span><span><span>viver na tua morte</span></span></span></div><div><span><span><span>recorrer ao segundo da tua eternidade</span></span></span></div><div><span><span><span><br /></span></span></span></div><div><span>****</span></div><div><span><br /></span></div><div><span><span><span><span>o seu olhar</span></span></span></span></div><h2><span><span><span><br /></span></span></span></h2><p"padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 150%; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-left: 0px; margin-bottom: 20px; font-style: italic; "><span><span><span>Paulo Tatit / Arnaldo Antunes</span></span></span></p><p"padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 150%; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; "><span><span><span>O seu olhar lá fora,<br />O seu olhar no céu,<br />O seu olhar demora,<br />O seu olhar no meu,<br />O seu olhar, seu olhar melhora<br />Melhora o meu.<br /><br />Onde a brasa mora e devora o breu<br />Como a chuva molha o que se escondeu.<br />O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu.<br /><br />O seu olhar agora, o seu olhar nasceu, o seu olhar me olha, o seu olhar é seu.<br />O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu...</span></span></span></p><div><span><span><span><br /></span></span></span></div><div><br /></div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-3732362756708794638?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 06:10:00 -0400</pubDate> 
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                </item> 
                <item> 
                    <title>ao homem dos tamancos</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031151</link> 
                    <description><![CDATA[<span><br /></span><div><span><strong>A solidão dos além mares bate a minha porta. Repercurso. Revontade. ReJulia.</strong> </span></div><br /><div><span></span></div><br /><div><span>Em um momento bem menininha, bem diário virtual, posto uma canção:</span></div><div><span></span> </div><div><span></span></div><div><span>****</span><br /></div><div><span><strong></strong></span> </div><div><span><strong>You must have fallen from the sky</strong></span><br /></div><div><span>Glen Hansard amp; Marketa Irglova</span></div><br /><br /><br /><br /><span>"You must have fallen from the sky</span><br /><br /><span>You must have shattered on the wrong way</span><br /><br /><span>You brought so many to the light</span><br /><br /><span>And now you're by yourself</span><br /><br /><span>There comes a point in every fight</span><br /><br /><span>Where giving up seems the only way</span><br /><br /><span>When everyone has said goodbye</span><br /><br /><span>And now you're on your own</span><br /><br /><span>And if you need somewhere to fall apart</span><br /><br /><span>Somewhere to fall apart.</span><br /><br /><span>When the rules of Cain</span><br /><br /><span>The rights you made</span><br /><br /><span>The hours did crawl</span><br /><br /><span>For those to blame</span><br /><br /><span>The broken glass</span><br /><br /><span>The fool that asked</span><br /><br /><span>The moving arrow to stop</span><br /><br /><span>You must have fallen from the sky</span><br /><br /><span>You must have come here in the pouring rain</span><br /><br /><span>You took so many through the light</span><br /><br /><span>And now you're on your own</span><br /><br /><span>And if you need somewhere to fall apart</span><br /><br /><span>Somewhere to fall apart.</span><br /><br /><br /><span>Well the ruins of man</span><br /><br /><span>The bloody rag</span><br /><br /><span>Be the fool the bull</span><br /><br /><span>The powdered hag</span><br /><br /><span>The nights that make</span><br /><br /><span>The rattle rag</span><br /><br /><span>The wolves that follow the ousted man</span><br /><br /><span>The falling star</span><br /><br /><span>The way we are Divine</span><br /><br /><span>The rules that never ever multiply</span><br /><br /><span>You must have fallen from the sky</span><br /><br /><span>You must have come here on the wrong way</span><br /><br /><span>You came among us every time</span><br /><br /><span>But now you're on your own</span><br /><br /><span>And if you need somewhere to fall apart</span><br /><br /><span>Somewhere to fall apart</span><br /><br /><br /><span>Well they call you saint</span><br /><br /><span>The basket case</span><br /><br /><span>The rules of thumb</span><br /><br /><span>You have to break</span><br /><span>The raging skull</span><br /><span>The rag to the bull</span><br /><span>The nails that drag </span><br /><span>In either hand</span><br /><span>Well I will make</span><br /><span>My work of that</span><br /><span>I know this place </span><br /><span>I know this task</span><br /><span>You must have fallen from the sky</span><br /><span></span><br /><span>****</span><br /><br /><span>Quedas, tropeços e a vontade de virar um astro...cruzar os céus, correndo, voando. Vontade de virar um tubérculo, criando raízes fundas, fundas, comendo tudo da terra, entrando na terra, me sujando de terra, aspirando terra. Vontade de virar éter e entorpecer-me de mim mesma e desaparecer em euforia, em êxtase, em ausência. </span><br /><br /><br /><span>Vontade de ser espelho, daqueles quebrados, consumindo às gargalhadas 7 anos de azar.</span><br /><br /><br /><br /><span"font-size:85%;"><span"font-family:trebuchet ms;font-size:100%;color:#990000;">o pacote carregou uma alma quietinha</span><br /></span><br /><br /><img alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_gbA8HltG2-M/SKiTLDQjeCI/AAAAAAAADZY/L4eXmYjMzYc/s200/DSC00045.JPG" border="0" /><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-1620157614607684416?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Sun, 17 Aug 2008 04:08:00 -0400</pubDate> 
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                <item> 
                    <title>engrenagem</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031153</link> 
                    <description><![CDATA[<span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#666600;">Há tempo não posto nada por aqui. Escrevi esta brincadeira em Budapeste. Novamente, uma tentativa de conto. Ainda não sei o quanto me dou bem com esse estilo..., porém continuo me aventurando...</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"></span><br /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;">****</span><br /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"></span><br /><img alt="" src="http://bp2.blogger.com/_gbA8HltG2-M/SJGuNz8kLtI/AAAAAAAADVA/J94WoemHMUI/s200/images.jpg" border="0" /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"></span><br /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"></span><br /><br /><div align="left"><span><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;">Motor<br /><br />Carlos Alberto chegou do dentista decidido a mudar de vida. Sua nova estrada não era algo que sabia ao certo, porém reiterou a si mesmo que não mais aceitaria os motorzinhos do mundo. Sem deixar que o tempo lhe roubasse os desejos, correu para a frente do computador e encontrou na página solteiroqueralguém.com alguém com quem pudesse jantar.<br /><br />Com pouco ou nenhum talento para escolher seu traje para o grande evento, optou por uma calça jeans e uma camiseta branca. Escolheu uma das últimas cuecas novas do pacote de R$15,99 e calçou um par de meias limpas.<br /><br />Caminhou apressado, deixando as marcas do solado de borracha na saída. Tropeçou uma vez no portão e lembrou que não mais poderia evitar o conserto do pavimento no quintal. Decidiu, porém, que essa seria sua atividade de domingo, já que o jogo de futebol com Cléber fora cancelado.<br /><br />Continuou correndo ofegante para o ponto de ônibus. Assim que se encontrou sozinho na rua, aproveitou e deu uma cheirada no próprio sovaco. Estava em ordem. Achou melhor não pegar o carro, pois assim teria a chance de acompanhar, a pé, a moça até sua casa. Como não tinha muito a oferecer, preferiu apostar que ela notasse o quanto era alto e atlético.<br /><br />Fingindo ser um homem confiante tocou a campainha uma única vez e aguardou três longos minutos até que alguém abrisse a porta.<br /><br />Ali estava ela. Não era particularmente magra, nem gorda. Tampouco era alta, mas também não era baixa. Não tinha os olhos castanhos claros, como seu perfil descrevia. Não era nenhuma dríade, mas, para a felicidade de Carlos Alberto, não era nenhuma medusa.<br /><br />Era simples. Normal. Positivo ou negativo, não tinha nada que a destacasse na multidão. Já que ele também não tinha nada de espetacular a oferecer ao mundo, sentiu-se confiante. A ida postergada por tantos anos ao dentista tinha lhe feito bem.<br /><br />Sem elevar o tom de voz, mas sem sussurrar não mentiu sobre a aparência da garota. Disse-lhe sem rodeios que ela estava ok. Ela não piscou, nem sorriu. Mas, também não se fez de rogada, nem se ofendeu com o comentário desajeitado.<br /><br />- Fabíola. Você gosta de pizza?<br /><br />Ela acenou afirmativamente e segurou sua mão. Juntos caminharam até a Donna Nonna, onde se sentaram em uma mesa discreta. O cardápio veio e com ele duas taças do vinho da casa oferecidas como gentileza ao cliente fiel.<br /><br />Comeram sem muito falar, discutindo as amenidades de um primeiro encontro. Decido a não se irritar com pequenas coisas, Carlos Alberto fingiu não se importar com o mastigar um pouco exacerbado da garota. E ela, também, NAQUELE estágio de vida se forçou a ignorar as pequenas manchas de suor amarelado na camiseta branca do rapaz.<br /><br />Saíram ainda mais quietos do que entraram e caminharam de volta ao apartamento da garota. Sem cerimônia, ela o convidou para entrar e ele aceitou. Despiram-se e deitaram na cama. Transaram de forma sutil. Não foram animais, mas também não estavam mortos. Dormiram.<br />No dia seguinte, Carlos Alberto se levantou e voltou ao dentista para a continuação do tratamento de canal. Nunca mais telefonou para Fabíola e ela não se importou.<br /><br />Desde então, ele não mais foi ao dentista e não mais ouviu o insuportável barulho do motorzinho.</span> </span></div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-1339999578773052093?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Thu, 31 Jul 2008 07:07:00 -0400</pubDate> 
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                <item> 
                    <title>brinco com anônimos...</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/5033721</link> 
                    <description><![CDATA[<a href="http://bp3.blogger.com/_gbA8HltG2-M/SHSCXlGbrAI/AAAAAAAAAOo/QK_r74NI1QY/s1600-h/50650413.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220941209636940802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_gbA8HltG2-M/SHSCXlGbrAI/AAAAAAAAAOo/QK_r74NI1QY/s200/50650413.jpg" border="0" /></a><br /><div><span><strong></strong></span></div><br /><div><span><strong></strong></span></div><br /><div><span><strong></strong></span></div><br /><div><span><strong></strong></span></div><br /><div><span><strong></strong></span></div><br /><div><span><span><strong>Os in cognitus</strong><br /><br />Ana andava muda. Era tão tímida, dizem. Ninguém notou quando ela mergulhou do oitavo andar. Hoje comentam.<br /><br />Carlos gostava de bocha. Às vezes jogava boliche. Ganhou três campeonatos regionais e perdeu um filho.<br /><br />Lígia ama seu nome. Afinal, comenta a todos que inspirou uma canção jobinesca. Mas, no grupo de viciados em sexo adimitiu que não sente fetiche por música.<br /><br />Frívola detesta seu nome. E também sua mãe.<br /><br />Felipe está tão doente que agora lê a bíblia, virou evangélico e canta hinos. No calar da noite, porém, ainda come muitos chocolates.<br /><br />Carmen foi ao Egito e teimou que era a reencarnação de Nefertiti. Desde então só come peixe frito no boteco do Nilo.<br /><br />André não sabe andar de bicicleta. Desde que foi atropelado e perdeu um braço também não anda mais de patins.</span></span></div><div>medo de belezas adormecidas<img width="1" height="1" src="https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-5392700349149884682?l%3Dsonode100anos.blogspot.com" alt="" /></div>]]></description> 
					<pubDate>Wed, 09 Jul 2008 05:07:00 -0400</pubDate> 
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                    <title>quem roubou meu fígado?</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031157</link> 
                    <description><![CDATA[<span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"><span>Ainda fugindo da minha persona como poeta, investigo outros estilos. Uma anti-auto-ajuda. Por isso...quem roubou meu (queijo, guaradanapo, taco de sinuca, gato) ... analogia fraca, mas intencional!</span></span><br /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;"></span><br /><br /><br /><img alt="" src="http://bp2.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R_rj9pngFSI/AAAAAAAAAK0/NZjRnFaaYf4/s320/57441739.jpg" border="0" /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"></span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;"><strong>Partes de um não corpo</strong></span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;"></span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Uma mão que não é minha.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Um pé que anda sem minha perna.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Um coração que não mais bate.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Um outro corpo sobre o meu.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Uma imagem que não reflete.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Um dedo que não aponta.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Um olho que não vigia.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">O outro que não espia.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Uma boca que não murmura.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Umbigo que não respira.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Um pulmão que não infla.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Uma orelha que não escuta.</span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;"></span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#cc6600;">Mas a voz, essa voz, ainda pálida, deixou de ser muda.</span><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-1883481309494197920?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 11:04:00 -0400</pubDate> 
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                </item> 
                <item> 
                    <title>Fingimentos</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031159</link> 
                    <description><![CDATA[<span"font-size:85%;"><span>Como dizia Fernando Pessoa, o poeta é um fingidor. Aqui fica uma tentativa de fingimento como homem colonialista.</span> </span><br /><br /><br /><br /><a href="http://bp1.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R_UsqpngFRI/AAAAAAAAAKs/qosEhx9eQV0/s1600-h/200510698-001.jpg"><img alt="" src="http://bp1.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R_UsqpngFRI/AAAAAAAAAKs/qosEhx9eQV0/s320/200510698-001.jpg" border="0" /></a><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#993300;"><strong>Poeminha para Mia Couto</strong></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#993300;"></span></div><br /><div><span"font-family:verdana;font-size:78%;"><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#993300;">Te perdestes na relva, gaja?<br />Ainda sabes do teu rumo?<br />Bota teu coração em caixa<br />Vem que eu o pego e aprumo<br /><br />Vendestes a alma gaja?<br />Ou perdestes a língua?<br />Tira teu seio da faixa,<br />Vem que te beijo à finda<br /><br />Morrestes de dor, gaja?<br />Ou partistes em doença?<br />Não vem que não te quero mais.<br />Marcada por essas balas, por outros violada<br />Andas agora coxa.<br />Prefiro restar-me apenas com a tua imagem em crença</span></span></div><br /><div><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#993300;"></span></div><br /><div><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#993300;"></span></div><br /><div><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#993300;"></span></div><br /><div></div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-4331878296811941494?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Thu, 03 Apr 2008 03:04:00 -0400</pubDate> 
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                <item> 
                    <title>Mais palavras...</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031161</link> 
                    <description><![CDATA[<div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#993300;"><strong>....para um grande e velho amigo, desejando boa sorte na defesa do mestrado.</strong></span></div><br /><div><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#993300;"></span></strong></div><br /><div><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#993300;">****</span></strong></div><br /><div><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#993300;"></span></strong></div><img alt="" src="http://bp2.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R87gUJQ6cZI/AAAAAAAAAKk/pgtpWVdW86I/s320/71086733.jpg" border="0" /><br /><div></div><br /><div><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#993300;"></span></strong></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"><strong>Idolatria</strong></span></div><br /><div><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Sérgio Faraco<br /></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Eu olhava para a estrada e tinha a impressão de que jamais na vida chegaríamos a Nhuporã. Que pedaço brabo. O camaleão se esfregava no chassi e o pai praguejava:</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Caminho do diabo!</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Nosso Chevrolet era um trinta e oito de carroceria verde-oliva e cabina da mesma cor, só um nadinha mais escura. No pára-choque havia uma frase sobre amor de mãe e em cima da cabina uma placa onde o pai anunciava que fazia carreto na cidade, fora dela e ele garantia, de boca, que até fora do estado, pois o Chevrolet não se acanhava nas estradas desse mundo de Deus.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Mas o caminho era do diabo, ele mesmo tinha dito. A pouco mais de légua de Nhuporã o caminhão derrapou, deu um solavanco e tombou de ré na valeta. O pai acelerou, a cabina estremeceu. Ouvíamos os estalos da lataria e o gemido das correntes no barro e na água, mas o caminhão não saiu do lugar. Ele deu um murro no guidom.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Puta merda.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Quis abrir a porta, ela trancou no barranco.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Abre a tua. </span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">A minha também trancava e ele se arreliou:</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Como é, ô Moleza!</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Empurrou-a com violência.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Me traz aquelas pedras. E vê se arranca um feixe de alecrim, anda.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Agachou-se junto às rodas e começou a fuçar, jogando grandes porções de barro para os lados. Mal ele tirava, novas porções vinham abaixo, afogando as rodas. Com a testa molhada, escavava sem parar, suspirando, praguejando, merda isso e merda aquilo, e de vez em quando, com raiva, mostrava o punho para o caminhão.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">O pai era alto, forte, tinha o cabelo preto e o bigode espesso. Não era raro ele ficar mais de mês em viagem e nem assim a gente se esquecia da cara dele, por causa do nariz, chato como o de um lutador. Bastava lembrar o nariz e o resto se desenhava no pensamento.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Vamos com essas pedras!</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Por que falava assim comigo, tão danado? As pedras, eu as sentia dentro do peito, inamovíveis.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Não posso, estão enterradas.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Ah, Moleza.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Meteu as mãos na terra e as arrancou uma a uma. Carreguei-as até o caminhão, enquanto ele se embrenhava no capinzal para pegar o alecrim.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Pai, pai, o caminhão tá afundando!</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">A cabeça dele apareceu entre as ervas.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Não vê que é a água que tá subindo, ô pedaço de mula?</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">E riu. Ficava bonito quando ria, os dentes bem parelhos e branquinhos.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Tá com fome?</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Não.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Vem cá.Tirou do bolso uma fatia de pão.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Toma.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Não quero.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Toma logo, anda.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— E tu?</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Eu o quê? Come isso.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Trinquei o pão endurecido. Estava bom e minha boca se encheu de saliva.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Acho que não vamos conseguir nada por hoje. De manhãzinha passa a patrola do DAER*, eles puxam a gente.Atirou a erva longe e entrou na cabina.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Ô Moleza, vamos tomar um chimarrão?</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Fiz que sim. Ao me aproximar, ele me jogou sua japona.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Veste isso, vai esfriar.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">A japona me dava nos joelhos e ele riu de novo, mostrando os dentes.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Que bela figura.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">A cara dele era tão boa e tão amiga que eu tinha uma vontade enorme de me atirar nos seus braços, de lhe dar um beijo. Mas receava que dissesse: como é, Moleza, tá ficando dengoso? Então agüentei firme ali no barro, com as abas da japona me batendo nas pernas, até que ele me chamou outra vez:</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">— Como é, vens ou não?</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;">Aí eu fui.</span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"></span></div><br /><div><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#006600;"><em>*Sigla do departamento responsável pela conservação das estradas estaduais.</em></span></div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-2216437245632498029?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Wed, 05 Mar 2008 12:03:00 -0500</pubDate> 
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                <item> 
                    <title>páginas, páginas</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031163</link> 
                    <description><![CDATA[<a href="http://bp1.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R8226JQ6cYI/AAAAAAAAAKY/OGnWN8WE6u0/s1600-h/200516724-001.jpg"><img alt="" src="http://bp1.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R8226JQ6cYI/AAAAAAAAAKY/OGnWN8WE6u0/s320/200516724-001.jpg" border="0" /></a><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#330033;">Ontem, como presente de aniversário , ganhei o livro do escritor africano Ruy Duarte de Carvalho. Me apaixonei. No início ainda, mas, em breve, hei de relatar novas passagens. Abaixo, um "verbete" de "Actas da Maianga ...dizer das guerras, em angola..."<br /><br /><br /><span><strong>"Dizer ou não</strong><br /><br />...A questão do inglório destino de certos livros que jamais chegarão a sê-lo porque o título, pensado à exaustão, acaba por condensar e cristalizar, na feição de um sucinto tracto escrito, tudo quanto haveria para dizer...Só que neste caso não se trataria apenas disso..."<br /></span></span><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-3958710757729999202?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Tue, 04 Mar 2008 03:03:00 -0500</pubDate> 
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                <item> 
                    <title>imagens, imagens</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031165</link> 
                    <description><![CDATA[<div><span"font-size:85%;color:#990000;">Poema antigo, ...., encontrei-o perdido....e aí: aqui está.</span></div><br /><div></div><br /><div></div><img alt="" src="http://bp1.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R8MfyJLIEHI/AAAAAAAAAJA/_MM9bUh5QZE/s200/200427619-001.jpg" border="0" /><br /><div><br /><span"font-size:85%;color:#cc6600;"><strong>Borrão </strong><br /><br />Vênus, </span><br /></div><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">colombina de manequim</span><br /></div><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">veste-se toda vênus de cetim</span><br /></div><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">Rabisco de vênus desnuda</span></div><br /><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">Grafia sôfrega do nanquim</span><br /></div><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">borra as bordas da vênus de fala muda</span><br /></div><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">e cobre com maquiagem</span><br /></div><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">sua penugem rubra</span></div><br /><div><span"font-size:85%;color:#cc6600;">Vênus rubra, a amante do arlequim</span></div><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-8092590156573718106?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Mon, 25 Feb 2008 03:02:00 -0500</pubDate> 
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                    <title>poema de margem</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/2031167</link> 
                    <description><![CDATA[<span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#663333;"><strong>Hoje, depois de ler um trechito de "Terra Sonâmbula", do Mia Couto, surgiram alguns versos esparsos. Quem sabe uma promessa de poema; ou o poema assim com poucos versos. </strong></span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#663333;"><strong></strong></span><br /><p><br /><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#663333;">O trechito:</span></strong></p><p><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#663333;">"Só recordo esta inundação enquanto durmo. Como as tantas outras lembranças que só me chegam em sonho. Parece eu e o meu passado dormimos em tempos alternados, um apeado enquanto o outro segue viagem."</span></strong></p><br /><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#663333;"></span></strong><br /><br /><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#663333;">Mia Couto, Terra Sonâmbula</span></strong><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"><strong></strong></span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"></span><br /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#663333;">****</span><br /><br /><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#003300;"></span></strong><br /><br /><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#003300;"></span></strong><br /><img alt="" src="http://bp2.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R7B1YJLIEGI/AAAAAAAAAI4/1lxkRVZbIE0/s200/200258884-001.jpg" border="0" /><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"><strong>Meus versos:</strong></span><br /><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#003300;"></span></strong><br /><strong><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#003300;"></span></strong><br /><span"font-family:trebuchet ms;font-size:85%;color:#003300;"><strong>No rio</strong><br /><br /><br />A morte não dormida<br />acorda os vivos<br /><br />(ausência)<br /><br />É uma estrada não percorrida<br />Que anuncia o desespero<br /><br />Ele diz:<br />- pede clemência<br /><br />São mulheres, homens e crianças travestidos de gente<br />no leito do esquecimento<br /><br />(história finda)</span><br /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#003300;"></span><br /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#003300;"></span><br /><br /><span"font-family:Trebuchet MS;font-size:85%;color:#003300;">****</span><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-7438075519113735193?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Mon, 11 Feb 2008 11:02:00 -0500</pubDate> 
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                    <title>Depois de longo e frio verão</title> 
                    <link>http://juliadietrich.tigblog.org/post/5033723</link> 
                    <description><![CDATA[<span>Depois de bastante tempo ausente (crises mil) voltei. Estava no trabalho, brincando entre matérias e saiu isso. Como estive muito distante, decidi postar do jeito que saiu! 1ª versão! Com erros e tudo!</span><br /><span></span><br /><span>****</span><br /><span></span><br /><br /><span></span><br /><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164687490311584754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R6yn6KPs-_I/AAAAAAAAAIw/O1RfCZJqLiU/s200/72484959.jpg" border="0" /><br /><br /><br /><span>Crepúsculo dos diabos</span><br /><br /><span></span><br /><br /><span>Todos os dias eles se encontravam no crepúsculo. As gotas de orvalho pingavam no exato ritmo do farfalhar das árvores. O gongo – tido por muitos como amaldiçoado, soou uma, duas, três, quatro vezes, mas ninguém parecia prestar atenção. Ninguém a não ser o homem barrigudo que batia incessantemente, porém a duras penas, o velho instrumento.<br /><br />Alice, vestida de azul, não era nenhuma ninfa em ritual nórdico, mas, como sempre, estava bela. Com o olhar rápido ela olhava um a um os homens que se aproximavam da roda e, sem ouvir os gongos, mantinha sua gargalhada em alto e bom som para todos ouvirem.<br /><br />A roda aumentava a cada segundo que passava, mas nenhuma das pessoas fazia menção de ouvir o gongo que anunciava a chegada de Felipe. Como sempre, o mandante do séqüito aparecia sorrateiro e sem se anunciar. Também ele fazendo pouco caso do homem barrigudo, cuja única função era tocar o poderoso instrumento de estanho.<br /><br />Dessa vez, Alice estava decidida: não sairia de lá sem ao menos beijar os pés de Felipe, mesmo que seu ato a deixasse manchada para sempre frente aos outros pretendentes. E não eram poucos os que idolatravam a menina envolta na renda azul. Havia outras, igualmente belas, com suas rendas vermelhas, amarelas e laranjas. Mas, nenhuma outra tinha o ar indulgente e os olhos violáceos da menina Alice. Nos círculos íntimos e burburinhos, todos os rapazes, homens e velhos se referiam a ela como a Fada-azul. Sempre, desde os dez anos, Alice portava uma renda azul. Fosse turquesa ou Royal, a renda que cobria seu corpo nu, era azul.<br /><br />Com os peitinhos espevitados e a cintura fina, cobertos apenas com a delicada renda, Alice desfilava entre todos, aguardando ansiosa a chegada de Felipe que jamais respeitara os horários das convenções. Ora, ele não precisava disso – era o grande Felipe. Aquele que combateu o mal eclesiástico e conseguiu o acordo com as trevas.<br /><br />Temido e adorado, ninguém jamais chegaria perto dele ou ousaria contestar seus atrasos ou entradas sem anunciação. Porém, a menina Alice, a Fada-azul, ela sim. Envolta em renda e em teimosia, com os seios nus e o púbis jovem e casto, ela subiria ao altar de toras empilhadas e tocaria com as suas mãos brancas os pés de Felipe.<br /><br />No mesmo instante em que aves revoavam a clareira, homens dançavam e vislumbravam as mulheres-de-renda que caminhavam e, secretamente sonhavam com o toque da menina Alice. No mesmo instante em que aves revoavam a clareira, ele chegou desapercebido. Até o gongo permaneceu na mesma melodia monótona, sem se dar conta da necessidade de seu próprio silêncio. Todos continuavam com suas tarefas de homens e mulheres em festa e acasalamento, sem notar, os passos firmes, porém sorrateiro do temido e adorado Felipe.<br /><br />Em toda sua certeza e prontidão, Felipe hasteou os braços, pigarreou, calou o gongo, imobilizou os homens, fez pousar as aves, encantou as mulheres que tímidas se cobriram com as rendas e esbravejou seu comando de silêncio absoluto. Não se ouvia nem um paço, nem um farfalhar se quer, nem uma única respiração.<br /><br />Com os olhos fechados Felipe passou a percorrer as sílabas do seu próprio cântico, embevecendo os presentes de sedução e luxúria. Pouco a pouco, os presentes entoavam palavras de sexo e sentiam os perfumes de seus pares. Como em transe, as mulheres despiam-se das rendas e se davam braços cobertos dos homens. Entre si as mulheres se baixavam e acariciavam os sexos. O perfume corria e Felipe se sentia feliz. Ah. Se ao menos ele mesmo pudesse, pensou.<br /><br />Quando os afagos cresciam ou os homens faziam menção de atacar as fêmeas que rodopiavam na clareira da luxúria, o gongo soava para alerta-los do início dos tempos que desautorizava o fim no leito.<br /><br />Alice, como virgem que era, era tida com mais cuidado, cercada pela sua corja de homens e mulheres que idolatravam seu corpo jovem. Como o calor era muito grande e a vontade cada vez maior, os machos se alternavam ao redor da Fada-azul, fugindo para se refrescarem e temendo, por descuido, romperem seu mais precioso encanto.<br /><br />Aproveitando um dos raros momentos que foi deixada sozinha, Alice caminhou em direção ao altar de toras. O homem barrigudo, concentrado no gongo que novamente soava, nem notou que menina se dispersara dos demais. Todos, entretidos em seios, nádegas e costelas ludibriadas pela própria luxúria, nem por um instante conceberam sua adorada ausência.<br /><br />A passos rápidos, aproveitando o transe coletivo e os olhos cerrados de Felipe, ela subiu nas toras, agachou-se e tocou a túnica de Felipe. Assustada, nem deu tempo do mestre reagir, agarrou a faca jogada na mesa e o apunhalou. Em menos de dois minutos de silêncio tétrico, Felipe não mais respirou. No auge dos seus 15 anos, Alice se levantou, manchada de sangue e disse à multidão atônita:<br /><br />- Sabem porque jamais o tocamos? Sabem porque Felipe me ofertou aos Deuses, condenada a jamais tornar-me mulher? Sabem porque vocês, almas infelizes, jamais conseguirão culminar seus desejos e tomar uns aos outros verdadeiramente? Sabe porque só nos acariciamos, beijamos e tocamos? Sabem porquê vocês homens andam vestidos?<br /><br />Movida pelo próprio desejo e sangue vivo e pulsante, Alice levantou o corpo de Felipe. Com uma mão o apoiava no ombro e com a outra levantou a bata que ele portava. Para o espanto e absoluta compreensão de todos, o mestre era eunuco.<br /></span><div>medo de belezas adormecidas<img width="1" height="1" src="https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-8736387250032108016?l%3Dsonode100anos.blogspot.com" alt="" /></div>]]></description> 
					<pubDate>Fri, 08 Feb 2008 11:02:00 -0500</pubDate> 
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                    <title>um conto inteiro</title> 
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                    <description><![CDATA[<div align="left"><span"font-family:verdana;font-size:85%;color:#003333;"><span>Para facilitar a vida de todos, posto o conto inteiro, sem quebras de postagens.<br /></span><br /></div></span><a href="http://bp2.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R2GWLOULiuI/AAAAAAAAAHg/7D0L2VEjmHw/s1600-h/10158973.jpg"><span"font-family:verdana;font-size:85%;color:#003333;"><img alt="" src="http://bp2.blogger.com/_gbA8HltG2-M/R2GWLOULiuI/AAAAAAAAAHg/7D0L2VEjmHw/s200/10158973.jpg" border="0" /> <p align="left"></span></a><span"font-family:verdana;font-size:85%;color:#003333;"><br /><br /><br /><strong>Elisa, João e Miguel<br /></strong><br />Lá estava. Toda linda, cabelos longos amarrados em coque, preso com um lápis sem ponta. De pé, cansada, esboçou dois ou três gemidinhos de cansaço e roçou o pé esquerdo na canela direita. Esperava que a cafeteira anunciasse o começo de mais uma manhã. Com o vestidinho da noite anterior, desses de malha (coisas de mulher) ela exibia as curvas mais deliciosas e convidativas que já passaram pelo meu apê. Mas, de alguma maneira, lá estava Ele. Com aquela calça jeans rasgada e a camisa manchada de sangue. Os mesmos olhos fundos que olhavam para ela e olhavam para mim. A mesma reprovação.<br />- Puta que o pariu Elisa! Que porra é esse cara de novo por aqui?<br />Sem me dar atenção, aguardando as primeiras gotas de café, respondeu com aquele sotaquinho marrento de carioca-que-nem-só-ela:<br />- Ah Zé. Deixa ele. Faz nada não...depois tu te acostuma.<br />Sem esconder meu descontentamento bufei uma, duas ou três vezes, não me lembro. Olhei pra ela e nada de Elisa interagir. "Antes das 9 horas eu não funciono", ela repetia incessantemente todas as manhãs quando eu queria conversar.<br />E lá estava ele, com aquela cara de saco-cheio me olhando e olhando Elisa que, como sempre, com aquele ar de nem aí e eu aqui pensando nas mil possibilidades do porquê da presença Dele.<br />Ela, com o vestidinho amassado na barra, finalmente tirou o bule de vidro da base e verteu o café fumegante em dois copos daqueles de padaria. Solícita, embora emburrada, sentou-se no meu colo, com o copo na mão e o convite para uma trepadinha matinal.<br />- Elisa. Pára com isso...vamos conversar.<br />Sempre adorei a sonoridade do nome Elisa e jamais lhe dei um apelido. Minha cabeça estava a mil, enquanto ela, ignorando minhas recusas, mordiscava minha orelha e colocava sua mão pequenina bem na divisão das minhas coxas.<br />- Elisa. Sério. Temos que conversar sobre o desgraçado ali.<br />Apontei para o batente da porta onde estava Ele e sua calça jeans rasgadinha que imitava algum rock star decadente da década de 90.<br />- Pára, gato. Esquece ele. Num adianta não. Ele fica aí o tempo todo, olhando. Deve ser curiosidade.<br />O tom jocoso com que Elisa lidava com a situação poderia ter me deixado tranqüilo, mas faziam meses que esse sujeito aparecia e minha disposição já não era mais a mesma.<br />Elisa tinha essa mania infernal de fingir que tudo estava bem: fosse o que fosse. Ela não ligava se o pão da lanchonete estava velho, se os chocolates comprados para meu sobrinho tinham derretido na sua bolsa, se o gato tinha deixado suas bolas de pelo no lençol. Tudo para ela era motivo de total e permanente indiferença. Eu, por outro lado estava cansado. Embora não me queixasse das pequenas coisas como o pão, ou os chocolates na bolsa dela, simplesmente não conseguia passar o resto da minha vida com aquele cara ali. Parado, com a maldita mancha de sangue e o ar de vocalista. Estava cheio. Cheio a ponto de recusar as insistências de Elisa.<br />- Vai Zé, repetia gemendinho, tirando as alças do vestido e se "achegando" em mim.<br />- Elisa. Na boa, quero esse cara longe daqui. Vamos chamar alguém outra vez.<br />Pela primeira vez senti que havia algo de novo no seu rosto. Uma certa insegurança que jamais havia visto. O que sempre soube, mas não queria encontrar estava tão a minha frente quanto o maldito rock-star.<br />- Você se acostumou com ele.<br />Muda por alguns quietos, ela riu e, para minha surpresa, reagiu:<br />- Zé. Tá legal. Você quer ir novamente ao maldito pai-de-santo. Tentamos de tudo, porra. Já foi de tudo: centro espírita, macumbeiro, pastor de igreja, testemunhas de jeová, rabino, padre...<br />Não havia como discordar dela. Nossos últimos meses foram marcados por essa agonia do cão. Nossa, não. Minha, pois ela nunca ligou muito pela presença do ex.<br />Logo quando começamos a namorar, sentia a impressão de ver um rosto conhecido. Na época, atribui as imagens ao remédio tarja preta que tomava. Mas, assim que mudei pro apê dela (apê que fora dele também), senti que a merda estava feita. O cara devia ter superado, ascendido aos céus, decido ao inferno. Mas, não, como disse o hare-krishna que nos visitou, era preciso deixar que ele aceitasse seu karma, seu curso de vida e só então se preparasse para reencarnar.<br />No começo fiquei com dó, mas, inevitavelmente, não conseguia deixar de pensar que aquele filho de uma puta nada tinha a ver com a minha vida. Com a de Elisa, até vai. Afinal moraram juntos, dividiram uma casa, pensavam em casamento. Mas, eu? Eu não fiz nada. O máximo de culpa que admito ter for ter me envolvido com a viúva do defunto. Mas, nem me aproveitar dela, me aproveitei. Pelo contrário, foram longos meses para nos aproximarmos.<br />- Merda, Elisa. Deve haver algum jeito.<br />Cansada, com aquele carioquês arrastado, ela suspirou e disse que nada havia a ser feito, a não ser seguir os conselhos de todos os deuses que por aqui passaram. Era preciso esperar que ele iria embora.<br />Mas, a sensação de desconsolo e a completa certeza de que ela se sentia bem com a presença do defunto me deixava perdido. Sempre me deixou e continuava me deixando.<br />- Saco Elisa. Não quero mais isso.<br />Sem atinar pro meu desespero, ela virou, olhou para ele e olhou para mim:<br />- Quero te contar uma coisa. Mais assustadora que a presença do Miguel aqui.<br />Merda, pensei. Que porra poderia ser pior.<br />Mas, bravamente ela interrompeu, anunciando que era uma notícia boa. Assustadora, mas boa. Estava grávida.<br />Como num instante, levantei e corri para a porta.<br />Antes de correr para a rua, respirar e talvez até chorar, falei:<br />- Elisa, não dá. Como vou saber se essa criança é minha e não dele.<br />No mesmo instante, percebi que o atropelado-Miguel-da-camisa de sangue era eterno e sorria.</span></p><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-1701254914558885417?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Thu, 13 Dec 2007 03:12:00 -0500</pubDate> 
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                    <title>Parte III - conto - Elisa, João e Miguel</title> 
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                    <description><![CDATA[<span"font-family:verdana;font-size:85%;color:#663300;">Aí vai! Atendendo aos pedidos e reclamações dos que lêem esta que escreve, decidi postar o final do conto, sem divisões....numa "tacada" só.<br /><br />Elisa tinha essa mania infernal de fingir que tudo estava bem: fosse o que fosse. Ela não ligava se o pão da lanchonete estava velho, se os chocolates comprados para meu sobrinho tinham derretido na sua bolsa, se o gato tinha deixado suas bolas de pelo no lençol. Tudo para ela era motivo de total e permanente indiferença. Eu, por outro lado estava cansado. Embora não me queixasse das pequenas coisas como o pão, ou os chocolates na bolsa dela, simplesmente não conseguia passar o resto da minha vida com aquele cara ali. Parado, com a maldita mancha de sangue e o ar de vocalista. Estava cheio. Cheio a ponto de recusar as insistências de Elisa.<br />- Vai Zé, repetia gemendinho, tirando as alças do vestido e se "achegando" em mim.<br />- Elisa. Na boa, quero esse cara longe daqui. Vamos chamar alguém outra vez.<br />Pela primeira vez senti que havia algo de novo no seu rosto. Uma certa insegurança que jamais havia visto. O que sempre soube, mas não queria encontrar estava tão a minha frente quanto o maldito rock-star.<br />- Você se acostumou com ele.<br />Muda por alguns quietos, ela riu e, para minha surpresa, reagiu:<br />- Zé. Tá legal. Você quer ir novamente ao maldito pai-de-santo. Tentamos de tudo, porra. Já foi de tudo: centro espírita, macumbeiro, pastor de igreja, testemunhas de jeová, rabino, padre...<br />Não havia como discordar dela. Nossos últimos meses foram marcados por essa agonia do cão. Nossa, não. Minha, pois ela nunca ligou muito pela presença do ex.<br />Logo quando começamos a namorar, sentia a impressão de ver um rosto conhecido. Na época, atribui as imagens ao remédio tarja preta que tomava. Mas, assim que mudei pro apê dela (apê que fora dele também), senti que a merda estava feita. O cara devia ter superado, ascendido aos céus, decido ao inferno. Mas, não, como disse o hare-krishna que nos visitou, era preciso deixar que ele aceitasse seu karma, seu curso de vida e só então se preparasse para reencarnar.<br />No começo fiquei com dó, mas, inevitavelmente, não conseguia deixar de pensar que aquele filho de uma puta nada tinha a ver com a minha vida. Com a de Elisa, até vai. Afinal moraram juntos, dividiram uma casa, pensavam em casamento. Mas, eu? Eu não fiz nada. O máximo de culpa que admito ter for ter me envolvido com a viúva do defunto. Mas, nem me aproveitar dela, me aproveitei. Pelo contrário, foram longos meses para nos aproximarmos.<br />- Merda, Elisa. Deve haver algum jeito.<br />Cansada, com aquele carioquês arrastado, ela suspirou e disse que nada havia a ser feito, a não ser seguir os conselhos de todos os deuses que por aqui passaram. Era preciso esperar que ele iria embora.<br />Mas, a sensação de desconsolo e a completa certeza de que ela se sentia bem com a presença do defunto me deixava perdido. Sempre me deixou e continuava me deixando.<br />- Saco Elisa. Não quero mais isso.<br />Sem atinar pro meu desespero, ela virou, olhou para ele e olhou para mim:<br />- Quero te contar uma coisa. Mais assustadora que a presença do Miguel aqui.<br />Merda, pensei. Que porra poderia ser pior.<br />Mas, bravamente ela interrompeu, anunciando que era uma notícia boa. Assustadora, mas boa. Estava grávida.<br />Como num instante, levantei e corri para a porta.<br />Antes de correr para a rua, respirar e talvez até chorar, falei:<br />- Elisa, não dá. Como vou saber se essa criança é minha e não dele.<br />No mesmo instante, percebi que o atropelado-Miguel-da-camisa de sangue era eterno e sorria.</span><div>medo de belezas adormecidas<img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5964424656555325277-5206187680486889716?l=sonode100anos.blogspot.com' alt='' /></div>]]></description> 
					<pubDate>Thu, 13 Dec 2007 03:12:00 -0500</pubDate> 
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